POR UM CANCIONEIRO VÍVIDO - Edson Tobinaga.
...flauta, trompa, viola, violoncelo...
Esta é a seqüência de timbres por que passeia a linha melódica da introdução da pequena grande obra-prima que é a Canção do Amor Demais de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, presente no memorável disco homônimo de 1958.
...flauta, trompa, viola, violoncelo: delicada iluminura para uma canção poderosa, imortalizada na voz de Elizete Cardoso.
Essa técnica usada por Tom Jobim, conhecida como Melodia de Timbres, havia sido criada em 1909 por Arnold Schoenberg, a quem são atribuídas as bases do dodecafonismo. Embora o discurso seja tonal, por tamanha economia de timbres (além dos instrumentos já mencionados, há um piano que surge num único, preciso e precioso acorde!), de elementos (um único tema dividido em duas seções, a primeira em contracanto e a segunda acompanhada por comedidos e límpidos acordes) e de duração (1min43), essa canção também aproxima Tom Jobim a outro compositor ligado ao dodecafonismo, discípulo e amigo de Schoenberg: Anton Webern. Provavelmente, isso se deva ao contato que Tom travara com Hans-Joachim Koellreutter, grande difusor da música dodecafônica no Brasil.
Uma simples canção em dó menor, brasileira! Fruto de um imensurável talento de melodista e, ao mesmo tempo, um músico bem formado e informado.
Se nos ativermos apenas ao século XX e seu diverso leque de vertentes estéticas, aliado ao desenvolvimento técnico de instrumentos e instrumentistas e a possibilidade de usar criativamente recursos eletrônicos e de computação, este início de século XXI poderia significar um momento privilegiado para a revitalização da canção brasileira. Poderia?
... ainda pode!
...num desses dias (10/10!), durante o V Encontro Nacional de Compositores Universitários, chamou-me a atenção o jovem Luis Gustavo “Caipira” Sarzi, que apresentou duas vigorosas e arejadas composições ao piano no acanhado mini-auditório do SESC Consolação. Presenciei, então, a uma torrente em que se insinuavam, fluíam e reverberavam canções sem palavras, de um cantar despojado, vívido, alentador!
Há esperança, sim!
E um vasto repertório poético pedindo música!
Chega a ser estarrecedor haver tão pouca música feita para a imensa poesia de Hilda Hilst...
Se o recurso da melodia de timbres servira, nas mãos de Tom Jobim, como uma espécie de iluminura para a Canção do Amor Demais, a poesia de Hilda Hilst pode ser o farol para tantas canções que estão por vir...
| HILDA HILST É HOMENAGEADA COM SÉRIE DE EVENTOS GRATUITOS. |
”Hilda Hilst O Espírito da Coisa”, espetáculo em cartaz no Teatro do Centro da Terra, programou uma série de atividades gratuitas como forma de homenagear a grande escritora brasileira, falecida há 5 anos. O projeto “Hilda Hilst O Espírito da Coisa” inclui exposição homônima, oficinas, palestras, ciclo de filmes, apresentações únicas de outras peças teatrais e leituras dramáticas. |
| QUATRO PORTUGUESES CONHECENDO HILDA. |
O texto abaixo foi enviado por um grupo de música erudita português que inicia trabalho com poemas de Hilda. Ficamos muito contentes de ver que a obra de Hilda, cada vez mais, emociona leitores por todo o mundo. |
| Biblioteca Hilda Hilst na República Dominicana! |
Em janeiro de 2009, será inaugurado o Centro Cultural Brasil - República Dominicana, da Embaixada do Brasil em São Domingos. Além da Biblioteca Hilda Hilst |
| COMO UMA BREJEIRA ESCOLIASTA - J.L. Mora Fuentes. |
Surgindo como resposta ao convite do editor Wilson Marini, os textos são lúcida irreverência, humor e crítica impiedosa das mofinezas humanas, bem como da comiseração pela fragilidade e desatinos da espécie. Aliando prosa e poesia para estampar o absurdo que partilhamos na matéria, a inquietante Hilda bombardeou, durante 62 contundentes semanas, a tradicional sociedade campinense com questionamentos essenciais... |
| O FENÔMENO HARRY POTTER E O NOSSO TEMPO EM MUTAÇÃO - Nelly Novaes Coelho. |
Sucesso inusitado que, evidentemente, vem suscitando uma avalanche de críticas, pró e contra esse “enfeitiçamento” dos leitores, causado por esses volumosos livros, com suas centenas de páginas cobertas de letras, frases longas, nomes difíceis e... sem ilustrações. E isso, em plena Era da Imagem |
| HILDA HILST: A MORTE E SEU DUPLO - Cristiane Grando. |
“Lego-te os dentes./ Em ouro, esmalte e marfim.” Muito além da imagem de um rosto deslumbrante, Hilda Hilst legou-nos suas obras, mais de 40, publicadas, de 1950 a 1995, em versos que foram se tornando cada vez mais complexos |
| HILDA HILST POR JORGE COLI. |
“Qual a boa metáfora para descrevê-la: uma pluma? Uma flor delicada que, por milagre, anda? Um cristal frágil? Sua voz faz-se carícia tímida. Para onde foi a Hilda Hilst desbocada, de tom enérgico, manejando palavrões que abalaram bem-educados e bem pensantes?(...)" |
| BENJAMIN: KAFKA A PROPÓSITO DO 10º ANIVERSÁRIO DE SUA MORTE - Luiza Novaes. |
Benjamin inicia o ensaio, nos contando uma anedota sobre a depressão de um czar, Potemkin, e a burocracia do acúmulo de papéis uma vez que o responsável não os assinava. A simplicidade e a facilidade que um dos funcionários arranjou para a empreitada tão complexa aos olhos dos chanceleres, de fazer o czar assinar os papéis, para ele, Chuvalkin, era viável. |
| CAMUS - Luiza Novaes. |
Camus começa seu ensaio sobre Kafka, denominado por ele como: A esperança e o absurdo na obra de Franz Kafka, pensando na necessidade que Kafka deixa para o leitor de releitura da obra, ao menos duas vezes, por que o autor pensa na possibilidade da dupla interpretação senão mais outras. |
| ROBERTO MATTA: "O SOL PARA QUEM SABE CONGREGAR" - Leo Lobos (Tradução de Geruza Zelnys de Almeida). |
Nascido no Chile em 11 de 11 de 1911, formou-se arquiteto aos 22 anos e partiu para a Europa onde trabalhou no projeto “cidade radiante” com o pintor, arquiteto e teórico franco-suíço Le Corbusier (1887-1965). Ao final de 1934 visitou a Espanha, onde conhece, na casa de seus tios diplomatas, o poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973) e os poetas espanhóis Rafael Alberti (1902-1999), e Federico García Lorca (1898-1936). |
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