O FENÔMENO HARRY POTTER E O NOSSO TEMPO EM MUTAÇÃO - Nelly Novaes Coelho.
"A cultura é como a atmosfera, não se vê não se apalpa e contudo é impossível viver fora dela e continuar pertencendo á humanidade."
(JoséSaramago)
Partimos aqui dessa arguta afirmação de Saramago –Prêmio Nobel de Literatura, para refletirmos sobre o grande fenômeno editorial/cultural de nossos dias, que é a série best-seller, Harry Potter, criada por J. K. Rowling¹, escritora escocesa radicada na Inglaterra. Desde o primeiro volume, Harry Potter e a Pedra Filosofal, lançado na Inglaterra em1995 ( e imediatamente traduzido em 35 idiomas e distribuido em 200 países), até o sétimo e último, Harry Potter e os Talismãs da morte (2007), o pequeno bruxo Harry e a Escola de Magia Hogwarts (com o maléfico Voldemort, o grande mago Dumbledore, elfos, duendes, dementadores, feitiçarias e o contínuo duelo entre as forças do Mal e as do Bem) vêm sendo o “objeto de desejo” de milhões de crianças, jovens e adultos em todo o mundo.
Sucesso inusitado que, evidentemente, vem suscitando uma avalanche de críticas, pró e contra esse “enfeitiçamento” dos leitores, causado por esses volumosos livros, com suas centenas de páginas cobertas de letras, frases longas, nomes difíceis e... sem ilustrações. E isso, em plena Era da Imagem, da Internet, das siglas como linguagem, e da velocidade cada vez maior da Informação: engrenagem tecnológica que, conseqüentemente, vem provocando nas novas gerações uma inegável aversão à leitura literária, que exige tempo vagaroso e concentração interior. É o Tempo da Máquina superando o Tempo Humano, que atua no mundo atual.
Entretanto são esses, os leitores de Harry Potter. Qual o mistério desse sucesso? Evidentemente não há respostas definitivas, pois como diz o ditado: “Cada cabeça, uma sentença.” A nosso ver, podemos entendê-lo como resultante de duas esferas de experiências: uma visível (a mercadológica) e outra invisível (a das idéias hoje em revolução). A primeira obedece à Lei do Mercado (aliás a única lei absoluta neste nosso mundo globalizado), a segunda obedece à Lei da Evolução da Consciência Humana (à qual a Autora alude indiretamente quando, ao lançar o primeiro volume, anunciou que a série teria 7 volumes) E como sabemos, desde os tempos primordiais, o número Sete é visto como um número mágico:7 dias da semana, 7 planetas, 7 graus de perfeição humana, 7 ramos da árvore do conhecimento, etc. E toda a magia que alimenta os volumes já publicados nos leva a crer que o universo de Harry Potter pretende mostrar os sete estágios evolutivos da Consciência Humana (ou do Conhecimento)².
HARRY POTTER e o Mercado
Do ponto de vista do mercado, a série Harry Potter, -literatura destinada as crianças e adolescentes- se tornou o primeiro produto editorial infantil/juvenil a se igualar aos grandes best-sellers “adultos”. Fenômeno resultante de uma gigantesca engrenagem editorial “globalizada”, movida a partir da Inglaterra e EUA, o sucesso da série tem início com a inteligente e complexa estratégia da tradução: cada volume é traduzido, com antecedência, em dezenas de idiomas, para ser lançado, simultaneamente, em centenas de países, e em tiragens que chegam a milhões de exemplares.
Os lançamentos são sempre precedidos de um formidável marketing: notícias invadem as colunas literárias da imprensa; detalhes da vida da autora são esmiuçados; criam-se expectativas quanto ao aparecimento de cada novo título da série, devido ao segredo que é mantido sobre ele, até o momento do lançamento. Fotografam-se filas de crianças à espera da compra, criam-se concursos que envolvem o livro, etc.³
Essa fabulosa engrenagem mercadológica culminou com a transformação dos livros em filmes, fato que, além de sua maior divulgação entre os leitores, eleva o lucro dado por esse especialíssimo produto, a somas astronômicas de milhões de dólares. Em lojas e livrarias, são espalhados outdoors, cartazes coloridos, caldeirões de papelão, figuras de feiticeiras e suas vassouras, magos, clones do jovem personagem, fantasias de magos, etc. Em escolas ou oficinas literárias para a meninada, abrem-se discussões sobre semelhanças e diferenças entre o texto novelesco e sua transformação nas imagens do filme. Enfim, a série Harry Potter transformou-se numa grande fonte de diversão e de aprendizado.
HARRY POTTER e a Crítica
Claro está que, diante desse fenômeno, as opiniões da crítica se dividiram: há os que negam o valor literário à série, pelo simples fato de ela ter sido transformada em best-seller (porque, na verdade, a maioria dos best-selleres é puro produto do marketing e dura apenas os “15 minutos de fama”). Outros, como o severo crítico americano Haroldo Bloom, rejeitando a natureza e originalidade da linguagem criada pela Autora, considera a série como “infindável seqüência de clichês”, e acrescenta: “Não é Alice no País dos Espelhos...É apenas ficção barata.” (apud H. P. e a Filosofia. SP, Madras, 2004-p. 13)
Na mesma linha negativa, a romancista americana A. S. Byatt, em artigo no New York Times (apud Caderno 2-OESP. 12.07.2003), faz uma leitura através de uma ótica realista redutora e afirma: “O mundo mágico de Rowling não tem espaço para o espiritual.” Mas, como veremos adiante (e de acordo com inúmeros outros analistas) o “espiritual” é uma das chaves para entendermos a saga de Harry Potter. Em suas palavras:
... (Harry Potter) é escrito para pessoas cujo imaginário está confinado aos desenhos animados da televisão e os exagerados (excitantes, mas não ameaçadores) mundos refletidos nas novelas, reality shows e fofocas de celebridades. Seus valores e tudo neles são, como disse Gatsby (personagem de Scott Fitzgerald) de seu próprio mundo, quando a luz de seus sonhos se apagou, “apenas pessoais”. Ninguém está tentando salvar ou destruir nada além de Harry Potter, seus amigos e sua família.
Sem dúvida, embora lendo através de uma perspectiva equivocada, a escritora americana toca em dois pontos vitais da série Harry Potter: o claro contraste que sua trama estabelece entre o mundo real (alimentado de valores banalizados ou desagregadores, bem semelhantes ao mundo de Gatsby na América pós-guerra 1914) e o atual mundo em mutação ( o das idéias de um Novo Humanismo em formação). Esclarecendo melhor: a saga de Harry Potter visa, como público-alvo, os jovens leitores, hoje “aprisionados” pelas exterioridades do mundo do espetáculo, da performance, do “vale tudo”, dos “reality shows”, etc., onde não há espaço para o ser interior, para a reflexão, para o pensar...mundo virtual onde tudo é mostrado como verdade, mas não passa de encenações bem montadas (com a sedução e a beleza da Arte televisiva) pela poderosa indústria do entretenimento, que é uma das contradições inevitáveis do nosso tempo: por um lado, movimenta milhões –fomentando o Progresso do mundo globalizado e, por outro, propõe modelos ou ideais de vida, que levam os humanos à alienação ou ao fracasso, porque visam apenas a realização do ser exterior (o das aparências, o das “celebridades”, o da conquista fácil e efêmera).
Mas, a nosso ver, romancista americana se equivoca ao comparar Gatsby com Harry e interpretar como “apenas pessoais” –restritos a “Harry Potter, seus amigos e família”, os problemas, desafios, perigos e ambições que tecem a complexa trama da série. O egocêntrico Grande Gatsby da América dos anos 20 (a enlouquecida e brilhante “era do jazz”, pós-guerra 1914) foi o porta-voz da “geração perdida”. O solidário “Harry Potter” (mesmo sem que ele o saiba) é o porta-voz do “novo homem” em gestação, neste limiar do século XXI.
Outros críticos vêem na série Harry Potter uma trama feita de clichês e de “gente conhecida”, habitantes dos contos de fada. Na verdade é desse húmus arcaico que a sua matéria novelesca se alimenta e os tais “clichês” são, na realidade, arquétipos, modelos de pensamento e ação, preexistentes na alma humana e que Jung, ao descobrir e analisar, mostrou-os como componentes do que ele chamou de Inconsciente Coletivo, -estruturas psíquicas quase universais. Espécie de consciência coletiva, e que se exprimem em uma linguagem simbólica de grande poder energético, que une o individual ao universal. São órfãos que sofrem humilhações no meio familiar (como a Gata Borralheira), São personagens-animais (Príncipe Sapo, o Fera...) que ao fim de um processo de transformação interior, através do Amor, revelam sua natureza superior (príncipe, rei...). Ou ainda, são personagens de origem desconhecida, vítimas do Mal e que acabam se revelando como de superior grandeza. Simbolicamente, essas histórias arcaicas apontam para o processo de amadurecimento interior, pelo qual o ser humano deve passar para revelar sua verdadeira personalidade. Ou ainda, há o arquétipo da viagem no encalço de um ideal e durante a qual o herói passa por vários perigos, mas é ajudado por mediadores mágicos. Enfim, a leitura do significado simbólico das aventuras/desventuras de Harry Potter pode revelá-las como uma verdadeira viagem iniciática.
Entre acertos e equívocos, a popularidade da série começa a atrair também a atenção de estudiosos do meio acadêmico. Uma das primeiras grandes reuniões universitárias, dedicadas à sua análise, realizou-se em Orlando, na Flórida: o “Simpósio Harry Potter – Nimbus 2003”, no qual se sucederam debates acerca de questões de justiça, desenvolvimento moral, o papel da mulher, o heroísmo, etc. O Simpósio Nimbus-2004 aconteceu no Canadá. Nessa ordem de interesses, vários estudos foram publicados. Entre eles estão: Harry Potter: as razões de um sucesso (SP, Contraponto, 2004) de Isabelle Samdja; Harry Potter e a Filosofia (SP, Madras, 2004) coletânea de ensaios, de vários autores, com a Coordenação de William Irwin; Harry Potter: O perigo oculto no menino-bruxo (CCC Edições, 2001); Almanaque de Harry Potter e outros bruxos (Panda Books, 2005); Além da plataforma nove e meia (UPF Ed. 2005) coletânea de ensaios de vários autores, Org. Sissa Jacoby/Miguel Rettenmaier.
A Saga de HARRY POTTER
Ao buscar uma classificação de gênero literário para a série Harry Potter, optamos por defini-la como saga, na medida em que sua matéria novelesca narra a “aventura maravilhosa” de um herói fundador. Não de um mundo já acontecido, como o das saga arcaicas, mas de um mundo que surgirá no futuro, criado pelo novo homem hoje em gestação e do qual Harry Potter seria uma alegoria. Entendemos ainda essa série novelesca como saga, devido ao seu aparente parentesco com as antigas lendas célticas/nórdicas ou baladas anglo-saxônicas que, milênios antes de Cristo, eram cantadas pelos bardos, contando os feitos dos heróis fundadores de povos, e transformando-os em Mitos (cf. o anglo-saxão Beowulf, o sueco Heldenbuch e outros que se difundiram por todo o Ocidente, como as Aventuras do Rei Arthur e seus Doze Cavaleiros em busca do Graal, o Cálice que guardava o sangue de Cristo).
Nessa ordem de idéias, vemos a série novelesca de Harry Potter como um inteligente amálgama de heranças dos tempos primordiais (mitos, arquétipos, processos de iniciação ao saber oculto, processos de magia, mistérios da alquimia, etc. que permanecem no Inconsciente Coletivo), fundidas com dados reais do nosso mundo atual (tecnológico, informático, cibernético, com suas “magias” inventadas pela Ciência...). Fruto dessa fusão, a série Harry Potter se oferece como uma pequena obra prima de construção literária, pela arte da escrita de J. K. Rowling. Arte-fusão de uma ampla cultura histórico-mítico-literária (de que é tão rico o imaginário anglo-saxão), transfigurada pela imaginação incomum da Autora. Fusão que engendra uma original e complexa trama novelesca (que tem muito de intriga policial), através de um estilo narrativo sui-generis. Os acontecimentos banais ou fantásticos que se sucedem ininterruptamente (em cenas curtas, como as das histórias-em-quadrinhos), e expressos numa linguagem coloquial, lúdica, que cria imediata intimidade com o leitor e o arrasta atrás de si num ritmo acelerado, que faz lembrar o tempo veloz dos video-games e dos multimeios de comunicação. Ritmo ao qual as crianças, os jovens e adultos de hoje já estão acostumados, pois é o ritmo dominante em nosso mundo “globalizado”, em acelerada mutação de vivências e costumes.
Sem dúvida, esse estilo moto-contínuo é um dos “ganchos” que, de imediato, prende o leitor à leitura e o leva a seguir atento, divertido ou ansioso as mil e uma aventuras/desventuras vividas pelo pequeno bruxo Harry e seus amigos ou inimigos, na Escola de Magia Hogwarts. Aventuras, cujo oculto elo de unidade é o confronto entre as forças do Bem e as do Mal; da Luz e das Trevas; Razão e Fantasia, Aparência e Essência...simultaneamente com o confronto entre o mundo dos “trouxas” (os não-bruxos ou os alienados deste nosso mundo real-caótico) e os “bruxos” (os conscientes dos poderes do Homem para reordenar o atual caos).
É ainda de se notar que, embora tais aventuras se desenrolem em sucessivos volumes, a trama novelesca de cada um é habilmente construída pela grande arte da Autora, no sentido de que cada um deles possa ser lido e compreendido, independente da leitura dos demais. Todas as informações indispensáveis para a compreensão da série, são dadas em meio aos acontecimentos de cada volume, de modo absolutamente natural...fazendo parte da nova trama. Assim a leitura da série pode começar por qualquer dos volumes e o essencial será perfeitamente conhecido e compreendido.
O Fenômeno HARRY POTTER e o nosso tempo em mutação
Em 1970, o filósofo americano, Thomas Hanna, escrevia em seu livro, Corpos em revolta:
“Atualmente, os corpos humanos estão em estado de rebelião cultural. Da complexidade crescente das sociedades tecnológicas emerge hoje em dia nova espécie de ser humano: o mutante, que aumentará pouco a pouco o seu domínio na sociedade e criará, ao mesmo tempo, uma nova cultura para ela.”
O extraordinário sucesso da Série Harry Potter (para além das mil e uma causas que o justificariam) estaria, a nosso ver, ligado substancialmente à nova corrente de pensamento, analisada por Thomas Hanna, -a da Cultura somática. A que descobre o ser humano como “soma”, fusão corpo/espírito, que em nossa época passa por novo estágio de evolução: os chamados mutantes. “Soma” é
“...matéria em contínua pulsação, ação, fluência, síntese e relaxamento –alternando com o medo e a raiva, a fome e a sensualidade. /.../ O soma é tudo que você é, pulsando dentro dessa membrana frágil que muda, cresce e morre, e que foi separada do cordão umbilical que unia você –até o momento da separação- a milhões de anos de história genética e orgânica dentro do cosmos. /.../ Somas somos eu e você, nesse lugar onde estamos, seres cuja história evolutiva conduzia ao momento revolucionário da percepção de que o novo mundo a ser explorado pelo século XXI é o imenso labirinto do soma, da experiência corporal e viva dos indivíduos” em pleno processo de adaptação ao belo/horrível cyberespace (mundo da tecnologia) em que nos cumpre viver.
Aliás, essa “cultura somática” identifica-se com várias outras correntes de pensamento, hoje atuantes e que surgem no século XX, colocando o Ser no centro da “revolução” que está em processo no mundo globalizado. Correntes como a da Fenomenologia de Husserl, a do Existencialismo de Heidegger ou a do Pensamento Complexo de Edgar Morin. Todas elas, de diferentes maneiras, convergindo para a formação de um Novo Homem. Ou melhor, uma Nova Mente.
Dentro desse contexto, o universo novelesco criado na saga Harry Potter, -universo global formado pelo mundo dos trouxas e pelo mundo dos magos, pode ser lido como uma grande e fantástica alegoria do Mundo Ocidental e sua organização sócio-político-econômica, hoje em pleno processo de mutação, com sua Lógica, suas certezas absolutas, seus fundamentos cristãos-liberais, desafiados pelo Mistério de um mundo ao qual a Ciência roubou o seu centro sagrado (Deus), mas não conseguiu explicar o Mistério da Vida e do Homem .
Ao leitor jovem, ao qual essa série se destina, evidentemente, esse possível significado simbólico ou alegórico não tem o menor interesse em ser conhecido. O prazer da leitura lhe basta, muito embora o esteja influenciando subliminarmente e passando-lhe a sua “mensagem”. Já com o leitor adulto será diferente. Fazendo a sua leitura através dessa ótica (ou através dessas novas correntes de pensamento) a fascinante/prazerosa Aventura do mago Harry Potter revela sua essencial sintonia com este nosso tempo em mutação, e prefigura, alegoricamente, o “mutante”, a nova mente em acelerada e caótica formação, entre uma civilização em declínio (a cristã-liberal-burguesa) e uma nova cultura que vem emergindo do caos atual. Quais serão os fundamentos definitivos dessa Nova Cultura que, por sua vez, engendrará a Nova Civilização que há de chegar um dia, ninguém ainda o pode prever. O que parece inegável é que o seu centro gerador é o Homem, o Ser Humano e a expansão de suas potencialidade latentes, ainda inexploradas.
Daí que a Magia, as metamorfoses, feitiçarias, visões, bruxarias ou as mil formas do Ocultismo ou do Esoterismo, estejam sendo a matéria prima dos mais recentes best-sellers, sintonizados com este nosso tempo em mutação: tais como: História sem fim (1979) do germânico Michael Ende; O mundo de Sofia (1991); e o Vendedor de histórias (2001) do norueguês Jostein Gaarder; A Profecia Celestina, (1993) do americano James Redfield; ou ainda a Biblioteca Mágica de Bibi Bokken (1999) de Jostein Gaarder & Kalus Hagerup. Todos eles são verdadeiros “romances de aprendizagem” que, em lugar de se debruçarem, como os de ontem, sobre as relações do Indivíduo com a Sociedade, onde ele devia se realizar (vencendo os obstáculos que ela lhe opunha), agora se debruça, essencialmente, sobre o próprio Indivíduo, sobre o seu Ser, porque é Ele o território desconhecido a ser explorado.
Essa é a grande chave que, a nosso Ver, pode “abrir” para o leitor adulto, alguns dos sentidos ocultos dessa insólita, enfeitiçada e divertida trama novelesca do bruxo Harry Potter e de seus amigos bruxos e não-bruxos. Trama que vem conquistando leitores mirins (os mutantes) de todas as partes do mundo, onde a série vem sendo traduzida. E como toda literatura autêntica, sua leitura estará agindo de forma subliminar na formação de suas mentes imaturas, para atuarem no mundo em transformação que os espera, ao crescerem.
Notas
1. Joanne Kathleen Rowling nasceu na Escócia em 1965. Adolescente, passa a viver em Londres. Formada em Letras, vai lecionar Língua Inglesa no Porto, onde em 1992 casa-se com o português, Jorge Arantes, com o qual teve uma filha, em 1993. No mesmo ano, o marido deixa-a e ela volta a viver em Londres. Começou a escrever o primeiro livro da série Harry Potter, em 1990, época em que se mudara para Portugal, tornando-se professora de Língua e Literatura Inglesa. Em 1995, terminou Harry Potter e a Pedra Filosofal, vendendo os Direitos Autorais por 4 mil dólares. Tratava-se, entretanto, do projeto de uma série de 7 volumes que, à medida que foram sendo escritos (até o momento, início de 2005, já sairam 5 volumes), tornam-se um dos maiores best-sellers internacionais. Em princípio programada para a meninada adolescente, a série acabou conquistando um grande público de todas as idades. Os milhões de exemplares vendidos em todo o mundo tornaram a Autora uma das mulheres mais ricas do Reino Unido, neste início do século XXI.
2. Por diferentes que sejam as denominações ou explicações dadas pelas religiões, povos ou doutrinas esotéricas, as fases de evolução da consciência ou do espírito, todas têm em comum o número Sete. E todas partem do corporal para o espiritual. Partem da descoberta do próprio eu em relação ao outro, como a primeira etapa. A esta, sucedem-se as demais sempre aprofundando a visão e o conhecimento do Eu em relação ao que transcende as aparências do que ele vê, até chegar à Sabedoria Suprema, que Teilhard Chardin chama de Noosfera. Entre os Dogons na Àfrica, o número Sete é a insígnia do Mestre da Palavra. E a sétima etapa da evolução, que corresponde à Perfeição, consiste na união dos contrários, na resolução do dualismo. Nos contos e lendas que vêm da origem dos tempos, a realização do herói passa por sete etapas: 1ª - consciência do eu físico; 2a..- consciência da emoção (impulsos que misturam sentimentos e imaginação); 3a. -consciência da inteligência (capacidade de descobrir, classificar e racionar sobre o mundo à sua volta); 4a. –consciência da intuição (percepção do Inconsciente); 5a. –consciência da espiritualidade (distanciamento da vida material); 6a. –consciência da Vontade (a que determina a Escolha e faz passar do Saber à Ação) e 7a. –conhecimento da Vida Plena (o enigma que dirige toda a atividade vital humana e universal).
(in Chevalier & Gheebrant)
3. É de se notar que, entre nós, em relação à literatura infantil, esse processo mercadológico é absoluta exceção, pois o processo normalmente adotado é o do investimento direto das editoras nas escolas, junto aos professores, isto é, trabalhando diretamente com o provável público-alvo, sem depender da intermediação das livrarias. Daí o fato de, por um lado, não haver necessidade de marketing nos multimeios de comunicação, para a venda dos livros, e por outro, tal ausência de publicidade, acaba por impedir que os nossos excelentes livros de Literatura Infantil/Juvenil (fora as exceções de sempre) se tornem conhecidos do grande público. Na verdade, o Brasil pode se igualar, em qualidade literária e em quantidade de excelentes escritores e ilustradores desse gênero, com os melhores dos demais países. É o que o mostram as Feiras Internacionais do Livro Infantil, entretanto, para a maioria do público brasileiro, isso é totalmente desconhecido.
4. Uma da razões que nos parece legitimar essa classificação –saga- (em lugar de romance ou novela folhetinesca/fantástica) é o fato de a autora ser escocesa e, portante, ser herdeira do amálgama de raízes histórico-fantásticas (célticas, escocesas, irlandesas, góticas, bretãs...), que sem dúvida ela deveria conhecer bem. Raízes que foram se fundindo durante os séculos medievais e que resultaram no atual Reino Unido da Grã-Bretanha. Raízes que fundem a Realidade e um Imaginário mágico-fantástico, tal como podem ser detectadas no mundo novelesco criado, no séc. XIX, pela grande figura do Romantismo na Inglaterra: a do escocês Walter Scott (1771-1832). Escritor que, conforme registro histórico, foi o primeiro a se tornar best-seller no mundo ocidental industrializado, e se tornar milionário, com a comercialização de sua vastíssima obra. (in O. Maria Carpeaux. História da Literatura Ocidental-IV. p.1725) A anglo-escocesa, J. K. Rowling teria nele um precursor, em matéria de sucesso e de revivescência das fontes medievais.
| HILDA HILST É HOMENAGEADA COM SÉRIE DE EVENTOS GRATUITOS. |
”Hilda Hilst O Espírito da Coisa”, espetáculo em cartaz no Teatro do Centro da Terra, programou uma série de atividades gratuitas como forma de homenagear a grande escritora brasileira, falecida há 5 anos. O projeto “Hilda Hilst O Espírito da Coisa” inclui exposição homônima, oficinas, palestras, ciclo de filmes, apresentações únicas de outras peças teatrais e leituras dramáticas. |
| QUATRO PORTUGUESES CONHECENDO HILDA. |
O texto abaixo foi enviado por um grupo de música erudita português que inicia trabalho com poemas de Hilda. Ficamos muito contentes de ver que a obra de Hilda, cada vez mais, emociona leitores por todo o mundo. |
| Biblioteca Hilda Hilst na República Dominicana! |
Em janeiro de 2009, será inaugurado o Centro Cultural Brasil - República Dominicana, da Embaixada do Brasil em São Domingos. Além da Biblioteca Hilda Hilst |
| COMO UMA BREJEIRA ESCOLIASTA - J.L. Mora Fuentes. |
Surgindo como resposta ao convite do editor Wilson Marini, os textos são lúcida irreverência, humor e crítica impiedosa das mofinezas humanas, bem como da comiseração pela fragilidade e desatinos da espécie. Aliando prosa e poesia para estampar o absurdo que partilhamos na matéria, a inquietante Hilda bombardeou, durante 62 contundentes semanas, a tradicional sociedade campinense com questionamentos essenciais... |
| POR UM CANCIONEIRO VÍVIDO - Edson Tobinaga. |
...flauta, trompa, viola, violoncelo... Esta é a seqüência de timbres por que passeia a linha melódica da introdução da pequena grande obra-prima que é a Canção do Amor Demais de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, presente no memorável disco homônimo de 1958. |
| HILDA HILST: A MORTE E SEU DUPLO - Cristiane Grando. |
“Lego-te os dentes./ Em ouro, esmalte e marfim.” Muito além da imagem de um rosto deslumbrante, Hilda Hilst legou-nos suas obras, mais de 40, publicadas, de 1950 a 1995, em versos que foram se tornando cada vez mais complexos |
| HILDA HILST POR JORGE COLI. |
“Qual a boa metáfora para descrevê-la: uma pluma? Uma flor delicada que, por milagre, anda? Um cristal frágil? Sua voz faz-se carícia tímida. Para onde foi a Hilda Hilst desbocada, de tom enérgico, manejando palavrões que abalaram bem-educados e bem pensantes?(...)" |
| BENJAMIN: KAFKA A PROPÓSITO DO 10º ANIVERSÁRIO DE SUA MORTE - Luiza Novaes. |
Benjamin inicia o ensaio, nos contando uma anedota sobre a depressão de um czar, Potemkin, e a burocracia do acúmulo de papéis uma vez que o responsável não os assinava. A simplicidade e a facilidade que um dos funcionários arranjou para a empreitada tão complexa aos olhos dos chanceleres, de fazer o czar assinar os papéis, para ele, Chuvalkin, era viável. |
| CAMUS - Luiza Novaes. |
Camus começa seu ensaio sobre Kafka, denominado por ele como: A esperança e o absurdo na obra de Franz Kafka, pensando na necessidade que Kafka deixa para o leitor de releitura da obra, ao menos duas vezes, por que o autor pensa na possibilidade da dupla interpretação senão mais outras. |
| ROBERTO MATTA: "O SOL PARA QUEM SABE CONGREGAR" - Leo Lobos (Tradução de Geruza Zelnys de Almeida). |
Nascido no Chile em 11 de 11 de 1911, formou-se arquiteto aos 22 anos e partiu para a Europa onde trabalhou no projeto “cidade radiante” com o pintor, arquiteto e teórico franco-suíço Le Corbusier (1887-1965). Ao final de 1934 visitou a Espanha, onde conhece, na casa de seus tios diplomatas, o poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973) e os poetas espanhóis Rafael Alberti (1902-1999), e Federico García Lorca (1898-1936). |
|