Hilda Hilst e o oximoro humano

23 de junho , 2016

Para a epígrafe de Qadós (1973), Hilda Hilst escolheu o trecho de um poema de Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima, que fala sobre um “rei animado e anal, chefe sem povo,/tão divino mas sujo, mas falhado”. Esses versos são, na opinião de Marcos Visnadi, mestrando em Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo, a síntese da visão de Hilda sobre a humanidade.

Jose Luis Mora Fuentes, o companheiro da Casa

13 de junho , 2016

“Aos quarenta anos, me apaixonei por um jovem de dezoito anos, o nome dele é Mora Fuentes. Baseada nessa paixão eu escrevi Agda, uma personagem que pressentia a velhice diante de um homem mais jovem.” O relato foi feito por Hilda Hilst ao antigo Jornal Nicolau, em 1993. O escritor Jose Luis Mora Fuentes, o Zé, foi uma paixão breve na vida da escritora, mas a amizade permaneceu por toda a vida.

Maria Alice Vergueiro não tem medo da morte

10 de junho , 2016

Amparada pelos atores Carolina Splendore e Luciano Chirolli, Maria Alice Vergueiro anda com dificuldade até o centro do palco. Dá uma volta completa venerando o público e as lápides que compõem o cenário. “Obrigada por virem assistir o meu velório.” Assim, sem cerimônias, a dama underground dá início à impactante performance do espetáculo Why the horse?, um ensaio comovente para o “encontro final”.

O Unicórnio encontra Matamoros

1 de junho , 2016

O olhar atento de Eduardo Nunes logo captou a narrativa imagética de “Matamoros” entre as páginas de “Tu não te moves de ti”, leitura que aconteceu pela primeira vez há cerca de quinze anos e contato debutante com a obra de Hilda Hilst. “Mas faltava alguma coisa para aquilo ser um longametragem, e O Unicórnio veio como uma forma de complementar”, conta. Do encontro das duas novelas, nasceu o roteiro do filme “O Unicórnio”.

Quem tem medo de Hilda Hilst?

25 de maio , 2016

Durante muito tempo a obra de Hilda Hilst foi considerada de difícil penetração. O manto da complexidade imbuído pelos críticos e a distribuição escassa de seus livros geraram na escritora uma grande perturbação: a falta de leitores. Na academia, no entanto, Hilda nunca teve problema em circular. É figura querida por professores e alunos de grandes universidades desde os primórdios de sua carreira.

Poesia sem rosto

6 de maio , 2016

O olhar da artista plástica Ceci Silva é um dos que reinventam a obra de Hilda Hilst nesta semana em Recife. Ela é uma das convocadas pela produtora Bruna Leite para participar da Ocupação Casa do Sol: Um Encontro com Hilda Hilst, série de eventos que culminam em uma mostra relâmpago no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, o Mamam, de 7 a 14 de maio. A missão de Ceci era criar uma obra com inspiração no livro Contos D’Escárnio, Textos Grotescos. Antes de expor o resultado no Mamam, ela contou um pouco sobre o processo à Revista HH.

O Recife é Hilda Hilst

4 de maio , 2016

Foi em 2014 que a jornalista e produtora de eventos Bruna Leite conheceu a obra de Hilda Hilst. O encontro foi intenso, e a pernambucana voou até Campinas para passar alguns dias na Casa do Sol. Bruna está por trás do projeto Ocupação Casa do Sol: Um Encontro com Hilda Hilst, que na primeira semana de maio leva a Recife uma série de atividades inspiradas na vida e na obra da escritora.

A figueira, o criador e a criatura

27 de abril , 2016

A figueira é centenária. Por sob seus galhos graúdos, passaram amigos de uma vida e visitantes furtivos. Do mais cético ao mais crente, todos conversaram com ela. Dizem – e é bom que se acredite – , a figueira atende pedidos. Na última semana de abril, ainda nos calcanhares da celebração do aniversário de Hilda Hilst, a figueira será palco e testemunha de mais um diálogo espirituoso.

Um brinde, Hilda Hilst!

20 de abril , 2016

Se estivesse viva, Hilda Hilst completaria hoje 86 anos. No trajeto usual de todas as manhãs, do quarto à cozinha, escolheria com cuidado as palavras para melhor descrever o sonho daquela noite aos amigos, na mesa do café. O fluxo de pensamento seria interrompido apenas ao topar com sua biblioteca ordenada e catalogada em magistrais prateleiras de um arquivo deslizante que agora ocupa o lugar da estante de madeira.

Hilda Hilst, literatura total (in)acessível

21 de março , 2016

Qual é o impacto de um achado artístico a nível nacional? Tornou-se claro que a organização e reedição da obra completa de Hilda Hilst pela editora Globo, iniciada em novembro de 2001, possibilitou o acesso de toda uma geração à literatura total de uma escritora que sempre enfrentou problemas editoriais de distribuição. Pouco se fala, porém, no quanto isso tem reverberado e no quanto ainda ecoará no panorama cultural geral dos próximos anos.